Mercado imobiliário: Setor segue aquecido na pandemia

Em 2021 algumas expectativas não se concretizaram, como a redução do agravamento da pandemia. Entretanto, para o setor imobiliário, mesmo em meio a tantas dificuldades, a surpresa é positiva.

O presidente da Associação das Empresas da Construção Civil (Ascon) da região dos Vinhedos, Milton Milan, acredita que o setor da construção esteja em ascensão, principalmente quando comparado aos três anos anteriores, quando houve um período de redução na venda de imóveis. “Ainda assim, diante do momento de incertezas pelo qual estamos passando, é possível que este cenário de crescimento possa estabilizar-se nos próximos meses”, ressalta.



Existe mercado para todos os tipos de imóveis, segundo Milan. Apartamentos mais compactos ou com áreas maiores e até mesmo para a construção de casas, para atender àqueles que tem interesse por áreas verdes privativas. “Na construção civil as tendências são percebidas pelo comportamento dos consumidores ao longo do tempo e não exatamente de um ano para outro. Diante disso, já era percebida uma tendência para as construções inteligentes, com mais áreas internas de lazer, integrando a própria estrutura dos empreendimentos. Há também um movimento para moradias menores, quando se observam as tendências de uma maior adesão, num futuro próximo, ao ‘coworking’ e também ao ‘coliving’. Contudo, ainda não notamos de forma efetiva em nossa cidade a adesão a estes modelos de trabalho e moradia compartilhada”, salienta.

Para a presidente Associação dos Corretores de Imóveis e Imobiliárias da Região Nordeste (Ascori), Jocimara Nunes, o setor está passando por um momento de transformação, influenciado pela mudança que a pandemia trouxe, a qual gerou outros hábitos familiares, modificou as rotinas de trabalho e, principalmente, ampliou a procura por espaços maiores.

Melhor momento para adquirir imóveis

Uma das mudanças é o fato de as pessoas ficarem mais em seus lares. “Antes praticamente apenas dormiam lá, agora precisam se adaptar com um novo normal, onde as tarefas do trabalho são em home office, as atividades escolares das crianças também são em casa, e a qualidade de vida tem sido o grande motivador de novos negócios. O segmento segue aquecido e com muitas facilidades para comprar um imóvel ou vender. É o melhor momento para sair de um compacto e ir para um maior, ou para sair de um usado e adquirir um novo”, destaca Jocimara.

A tendência, segundo ela, é seguir o ano com as facilidades que a pandemia trouxe para o imobiliário. “As linhas de crédito estão com taxas menores, a Selic mantem o bom momento de juros baixos e a aquisição de crédito passa por um dos melhores momentos da economia. Seja para investimento ou para moradia, esse é o melhor momento para comprar”, garante.

Stefenon ressalta que imóveis são os investimentos mais seguros, juntamente com o ouro. “Se bem comprados, não há investimento melhor, pois, são tangíveis, valorizam normalmente sempre, não há risco como as bolsas de valores onde se pode perder tudo. A liquidez é média, mas sempre existe; servem como entrada em outros investimentos maiores. Imóveis representam solidez, sempre importante, ainda mais em momentos difíceis”, pondera.

A presidente da Ascori também acredita que aplicação de valores neste mercado traz mais segurança e quem faz isso agora, está se beneficiando do momento atual. “É a oportunidade que a pandemia trouxe, em contrapartida de alguns setores que estão se prejudicando, o nosso está valorizando e aquecendo a economia. Quem quer produzir mais em casa, trocar a sua por uma maior, e nesse círculo virtuoso, o mercado está aquecido e propício aos bons negócios. Lembrando, sempre, de consultar o corretor de imóveis para intermediar a negociação. Só dessa forma, com o acompanhamento profissional do especialista, a compra ou investimento será de fato seguro e bom para todos”, salienta.

Milan também relata que a construção civil voltou a ser vista como uma via interessante para aplicação do capital, tanto como opção frente a baixa rentabilidade que os investimentos no mercado financeiro têm apresentado, como também pela possibilidade de geração de renda futura, com a locação. “As taxas de financiamento habitacional cada vez mais atrativas também tem favorecido o setor, fazendo com que as pessoas busquem a compra de imóveis para moradia”, expõe.

O cenário está ocorrendo, de acordo com Jocimara, porque Bento Gonçalves tem recebido pessoas de cidade grande, que com a pandemia e a nova forma remota de trabalho puderam sair de grandes centros urbanos e migrar em busca de qualidade de vida, sossego, escolhendo a cidade para morar. “Notamos que com a pandemia o mercado aqueceu, os negócios estão acontecendo entre usados, novos e todos estão fazendo movimento para aproveitar esse bom momento que o setor tem proporcionado”, conclui.

Mudanças do último ano, segundo Stefenon

  1. Apartamentos e casas maiores;

  2. Com espaço para home-office;

  3. Mais peças ambientes no mesmo local;

  4. Valorização de áreas abertas;

  5. Desejo por espaços de caminhada;

  6. Urbano para rural (quem teve a possibilidade de ir ou comprar um sítio, fez isso);

  7. Imóveis comerciais com baixa procura;

  8. Custo da construção em elevação pelo aumento dos materiais (ferro, aço, alumínio, etc) ainda não repassados aos preços dos imóveis;

  9. Compra de imóveis com maior número de garagens.

Quais os bairros com maior número de imóveis?

Milton Milan explica que, segundo dados do Censo Imobiliário, pesquisa realizada anualmente pela Ascon Vinhedos e cujos últimos dados levantados tem data base de 31 de julho de 2020, os bairros Centro e São Francisco são os que apresentam o maior número de unidades à venda, seguidos dos bairros Cidade Alta, Progresso e Humaitá. “Quando analisados os números de imóveis vendidos no mesmo período pesquisado, os bairros Cidade Alta, Progresso e Humaitá foram os que mostraram os melhores índices de venda”, esclarece.

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